Férias, época da molecada ficar no videogame (e de modificarem seus cérebros)

kfqicliuawygmhlfpbdyO período de férias escolares, principalmente o longo recesso de dezembro e janeiro, demanda a criatividade dos pais. Acostumadas às aulas, as crianças se veem muitas vezes ociosas, com a energia do ritmo escolar acumulada e sem ter onde gastá-las. Por mais que os pais usem a inventividade para preencher a grade horária das crianças (viagens, curso de férias, esportes, academia, clube, casa de praia, etc.) é inevitável que elas recorram frequentemente aos eletrônicos. Além da televisão e dos dispositivos móveis (celulares e ipads), os games costumam ser outro instrumento frequentemente utilizado pelos pequenos para se entreter no longo solstício de verão.

Estima-se que uma pessoa aos 21 anos já gastou tantas horas com videogame, em média, que poderia ter feito dois cursos de graduação com este tempo. Desta forma a influência desta prática em nosso organismo não escapou ao olhar de cientistas. Sabe-se hoje que videogames podem melhorar a atenção, a capacidade perceptual e o controle executivo (execução de tarefas) de gamers. Por outro lado, dependendo do jogo comportamentos agressivos podem ser induzidos. Mas desde o começo do século uma revolução nas ciências de saúde mental se operou, no sentido de unificar os conhecimentos de todas as áreas e buscar correlatos biológicos de fenômenos psicológicos, integrar biologia e psicologia (neurociências). E hoje quer-se saber também que efeitos biológicos os games podem ter no cérebro das pessoas, em especial das crianças.

Um estudo da Molecular Psychiatry, periódico do grupo Nature e o de maior fator de impacto na psiquiatria, investigou o efeito do jogo Super Mario no cérebro de adultos jovens. Vinte e quatro pessoas que não jogaram videogame nos últimos seis meses foram instruídas o jogar Super Mario por pelo menos 30 minutos por dia durante 2 meses. Estes participantes foram submetidos a ressonância magnética e observou-se que o hipocampo e parte de seu córtex pré-frontal, estruturas cerebrais relacionadas a memória e execução de tarefas, aumentaram de tamanho. Por outro lado, estudo posterior no mesmo periódico com 114 meninos e 126 meninas japonesas (idade média de 11 anos) investigou longitudinalmente o efeito de jogar videogame no cérebro das crianças (em média jogavam 0.7-0.8 horas por dia). Uma maior quantidade de horas no videogame esteve associada à ruptura de redes neurais e a um consequente desenvolvimento mais lento do QI verbal.

A Academia Americana de Pediatria não recomenda o uso de eletrônicos abaixo de 2 anos de idade, e orienta aos pais que estabeleçam tempos máximos de uso de tais aparelhos por dia.

Será que chegaremos ao dia em que virão orientações nos jogos “aprecie com moderação”, ou “este jogo diminui sua inteligência verbal”, ou “este jogo pode romper suas redes neurais”? Seria muito chato receber a todo instante instruções do que fazer e do que não fazer, “isso faz mal”, “aquilo faz bem”, “isso pode te prejudicar”, etc. Mas por outro lado, o que evitaria esta chatice seria adotar, por mais piegas que possa parecer, a regra de que tudo em exagero é ruim.

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