Ler para as crianças

Storytime_Drawing  Domingo foi o dia das mães e, pensando sobre livros, lembrei que na minha infância havia um livro muito grande, de capa dura, com 365 histórias, que ficava na minha cabeceira. Uma para cada dia do ano, lidas pela minha mãe antes de dormir. Hoje não me recordo de nenhuma, mas lembro-me da satisfação quando a história do dia era longa e adiava a hora de dormir por alguns minutos mais, e de uma certa frustração quando a leitura da vez tinha apenas três ou quatro linhas.

A leitura de histórias para a criança é um gesto que estimula o desenvolvimento do vocabulário, amplia o entendimento de mundos ficcionais, e expõe a criança às estruturas de histórias e às convenções necessárias para entendê-las. Há quem acredite que a leitura proporcione apenas efeitos afetivos e transitórios, mas mesmo a leitura para pré-escolares pode ter resultados a longo prazo nas habilidades de leitura de uma pessoa.

A leitura para crianças deve levar em consideração três fatores. O primeiro deles é o estilo da leitura. Ele deve se adequar ao nível de habilidade da criança, para que se mantenha a interação dentro do que se chama de zona de desenvolvimento proximal. Este território define-se por aquilo que está entre o que a criança pode fazer ou entender independentemente, e aquilo que ela consegue fazer ou entender apenas com ajuda. Ou seja, para que estimule, deve conter coisas novas, mas ainda assim ser compreensível para a criança. É um aprendizado mediado, o adulto intermediando o ambiente para a criança, de modo que este se torne compatível com os conceitos que a criança detém.

O segundo fator é a responsividade parental. Por este conceito entende-se a habilidade de ser sensível às demandas da criança. Ou seja, perceber as dúvidas e sentimentos dos pequenos (e responder a eles) quando se lê a história.

O terceiro fator é um dos mais importantes, o tônus afetivo: o tom emocional durante a leitura, gestos não-verbais, postura corporal, expressões faciais, tom de voz. Ele vai proporcionar um apego (da teoria do apego) seguro e afetivo ao pequeno ouvinte.

E quando a criança não quer saber da história? Dentre diversos outros fatores, alguns estudos sugerem que quando este mesmo apego entre a díade mãe-filho é inseguro a atenção da criança tende a diminuir. Observou-se que é necessário que a relação entre ambos seja uma relação de segurança para que a leitura de histórias tenha qualidade. Quanto mais seguro e afetivo o vínculo, melhor a leitura. Pais amparadores e emocionalmente envolvidos e induzem a criança a prestar mais atenção na história.

Além disso, uma outra publicação relatando uma série de casos com 4 crianças mostrou que contar histórias melhorou os comportamentos irruptivos na hora de dormir e também os distúrbios do sono.

Portanto, parabéns às mães, em especial aquelas que leem histórias para os seus filhos antes de dormir!

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